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Mostrando postagens de abril, 2026

Na Mira do Júri: Retiro Corporativo

A série Na Mira do Júri: Retiro Corporativo constrói, por meio do humor, um retrato preciso das dinâmicas humanas em grupo. O cenário do retiro corporativo, aparentemente leve e descontraído, revela algo mais profundo: o modo como o sujeito se reorganiza diante do olhar do outro. Ao longo dos episódios, percebe-se que não se trata apenas de integração, mas de adaptação. Cada participante, de forma mais ou menos evidente, ajusta sua maneira de falar, agir e até sentir para corresponder a uma expectativa coletiva. O que está em jogo não é somente convivência, mas pertencimento. E, muitas vezes, esse pertencimento cobra um preço silencioso: a redução da singularidade. O riso, elemento central da série, merece atenção. Ele surge como resposta ao desconforto, funcionando como uma espécie de alívio diante de situações que, se levadas a sério, revelariam tensões difíceis de sustentar. Em ambientes corporativos, isso se repete com frequência. Piadas em momentos inadequados, risos compartilh...

Freud: fantasia como realização de desejo, loucura como ruptura com o real

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Ao nos aproximarmos do pensamento de Sigmund Freud , encontramos uma formulação decisiva para compreender a diferença entre fantasia e loucura. Freud desloca a questão para o campo do desejo, mostrando que a vida psíquica não se organiza apenas pela razão, mas por forças inconscientes que buscam expressão. A fantasia, nesse contexto, não é um erro da mente, mas uma construção necessária. Ela funciona como um espaço onde desejos encontram forma, mesmo quando não podem ser realizados na realidade. Em O Futuro de uma Ilusão , Freud afirma: “... eine Illusion ist eine Erfüllung der ältesten, stärksten und dringendsten Wünsche der Menschheit.” “Uma ilusão é a realização dos desejos mais antigos, mais fortes e mais urgentes da humanidade.” Essa afirmação permite compreender que a fantasia não surge ao acaso. Ela responde a uma falta, a um desejo que insiste. Quando alguém imagina reconhecimento, amor ou sucesso, não está apenas “inventando”, mas tentando dar forma a algo que, intername...

Aristóteles: fantasia como ponte, loucura como ruptura

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Ao avançarmos para o pensamento de Aristóteles , encontramos uma elaboração mais sistemática e, ao mesmo tempo, mais sóbria sobre fantasia e loucura. Diferente de Platão, Aristóteles não atribui à loucura um valor elevado ou divino. Sua preocupação está em compreender como a mente opera, distinguindo com precisão aquilo que pertence ao funcionamento regular da psique e aquilo que representa sua desorganização. A fantasia, ou phantasia , ocupa um lugar central nesse sistema. Em sua obra De Anima , Aristóteles afirma: «τῆς φαντασίας κίνησις ἐστὶν ὑπὸ τῆς αἰσθήσεως γιγνομένη» “A fantasia é um movimento produzido pela percepção.” Essa definição é decisiva. A fantasia não é uma fuga da realidade, mas uma continuidade dela. Trata-se da capacidade de manter, reorganizar e transformar as impressões sensoriais mesmo na ausência do objeto. Em termos simples, é aquilo que permite ao sujeito imaginar uma cena, recordar um rosto ou antecipar uma situação. Um exemplo prático ajuda a esclarece...

FANTASIAS OU LOUCURA? A DIMENSÃO DO IMAGINÁRIO NA OBRA DE ERIK ERIKSON

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Fantasies or Madness? The Dimension of the Imaginary in the Work of Erik Erikson RESUMO Este artigo examina a relação entre fantasia e psicopatologia na obra do psicanalista Erik H. Erikson, problematizando a distinção entre processos imaginativos criativos e manifestações de desintegração psíquica. A partir da análise de conceitos centrais como identidade, crise, ritualização e jogo, demonstra-se que Erikson propõe uma compreensão dialética na qual a fantasia não se opõe à realidade, mas constitui um espaço privilegiado para a elaboração de conflitos e a antecipação de possibilidades futuras. A pesquisa fundamenta-se na análise de textos originais do autor, incluindo Infância e Sociedade, Identidade, Juventude e Crise, Toys and Reasons e Insight and Responsibility, articulando tais contribuições com o contexto mais amplo da teoria psicossocial. Conclui-se que, para Erikson, a linha divisória entre a imaginação saudável e a desorganização psicótica não reside na presença ou ausência da...

Desenvolvimento psicossocial em Erik Erikson

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  O desenvolvimento psicossocial proposto por Erik Erikson compreende a vida como um processo contínuo de construção da identidade, no qual cada fase apresenta um conflito central que precisa ser elaborado. Esses conflitos não são obstáculos a serem evitados, mas experiências fundamentais que estruturam a forma como o sujeito se percebe e se relaciona com o mundo. Ao longo da vida, o indivíduo atravessa diferentes momentos em que precisa responder, de maneira singular, às exigências internas e externas, constituindo sua história psíquica. Um dos conceitos centrais é o de crise psicossocial. Cada etapa do desenvolvimento traz uma tensão entre dois polos, como confiança e desconfiança, autonomia e dúvida, identidade e confusão. Essas crises não indicam ruptura, mas movimento. São pontos de passagem que exigem posicionamento. A forma como cada pessoa atravessa essas experiências não depende apenas do ambiente, mas também de como ela significa o que vive. É nesse processo que se estru...