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Mostrando postagens de dezembro, 2025

Quando a Angústia Fala !

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  Quando a Angústia fala traz ao leitor algo que, hoje, é ao mesmo tempo simples e raro: uma mudança de posição diante do sofrimento. O ponto mais importante do livro não é oferecer técnicas para eliminar a angústia, mas recolocá-la no lugar que lhe é próprio, como sinal e não como erro, como mensagem e não como falha do sujeito. A obra convida o leitor a abandonar a ideia contemporânea de que a angústia deve ser rapidamente calada, medicada ou neutralizada. Em vez disso, propõe que ela seja escutada. Esse deslocamento é fundamental, porque devolve ao sujeito uma dignidade que frequentemente lhe é retirada quando seu sofrimento é tratado apenas como disfunção. A angústia, tal como apresentada no livro, não é um excesso sem sentido, mas a expressão de algo que não encontrou ainda palavras, de um conflito que toca o desejo, a falta e os limites das identificações que sustentam o eu. Outro ponto central é a forma como o livro sustenta a singularidade. O leitor não encontra classifi...

Lacan?

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No Quando a Angústia fala , a teoria de Lacan não aparece para mim como algo a ser explicado ou demonstrado, mas como uma posição clínica que sustento ao longo de toda a escrita. Eu não uso Lacan como um repertório de conceitos expostos de forma didática. Uso Lacan como orientação ética, como bússola diante da angústia do sujeito. Isso é uma escolha deliberada, porque a angústia, tal como a compreendo, não se resolve no plano da explicação, mas no modo como é escutada. Parto da concepção lacaniana de que a angústia não é sem objeto, ainda que esse objeto não se deixe nomear facilmente. No livro, faço questão de não localizar a angústia em acontecimentos isolados ou em causas externas diretas. Ela surge quando algo do real irrompe e faz vacilar as amarras simbólicas que até então organizavam a vida do sujeito. Quando escrevo sobre a angústia, escrevo sobre esse ponto de ruptura, onde o eu já não consegue sustentar suas certezas e o sujeito se vê diante de algo que escapa ao controle. Mi...

Quem é Marta ?

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 No livro Quando a Angústia fala , Marta não aparece como uma personagem no sentido literário clássico, nem como um caso clínico exposto para ser explicado ou resolvido. Marta é construída como uma figura clínica, uma presença que encarna a experiência da angústia em seu estado mais cru, antes de qualquer enquadramento diagnóstico ou fechamento de sentido. Marta representa o sujeito quando já não consegue sustentar as narrativas que organizavam sua vida. Ela surge no momento em que as palavras faltam, em que o corpo passa a falar por meio do aperto, do silêncio, da paralisação e da urgência sem nome. Sua importância no livro não está nos detalhes biográficos, mas na posição subjetiva que ela ocupa: a de alguém que chegou ao limite das soluções conhecidas e se vê confrontada com algo de si que não se deixa controlar. Ao apresentar Marta, o livro preserva uma ética fundamental da clínica. Ela não é usada como exemplo didático simplificador, nem como ilustração de um conceito previa...

Depressão para Lacan: quando o sujeito se apaga diante do desejo

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 Quando penso a depressão a partir de Lacan, sou levado a romper com a ideia de que ela se resume a tristeza, falta de energia ou desequilíbrio interno. Para mim, a depressão não é um estado de humor, é uma posição subjetiva. Ela aparece quando o sujeito se retira do campo do desejo, quando abdica de sustentar sua própria falta e passa a se confundir com um vazio sem borda. Em Lacan, a depressão não é simplesmente sofrer demais, é, muitas vezes, não querer saber mais nada do próprio desejo. O que me provoca na leitura lacaniana é que a depressão não se explica por um excesso de angústia, mas por sua ausência. A angústia, para Lacan, é um afeto que orienta, que indica que algo do real está em jogo. Já na depressão, frequentemente encontro o contrário, um amortecimento, um esvaziamento, uma queda do investimento libidinal que não aponta para lugar algum. O sujeito deprimido não está tomado por perguntas, ele está paralisado diante delas. Não se angustia porque já desistiu de desejar...

Depressão: quando a dor não se cala e o eu se volta contra si

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 Quando penso a depressão a partir de Freud, sou levado a abandonar imediatamente a ideia confortável de que se trata apenas de um desequilíbrio, de uma tristeza sem causa ou de um mau funcionamento do indivíduo. Em Freud, a depressão não é um simples estado de ânimo rebaixado. Ela é um drama psíquico profundo, silencioso e, muitas vezes, devastador, no qual algo do amor, da perda e da agressividade se volta contra o próprio sujeito. Freud nunca usou o termo “depressão” tal como o fazemos hoje, mas quando descreve a melancolia, ele nos oferece uma das leituras mais contundentes sobre esse sofrimento. O que me chama atenção é que, para Freud, o sofrimento melancólico não nasce apenas da perda de um objeto amado, mas da forma como essa perda é tratada pelo aparelho psíquico. Diferentemente do luto, em que o mundo fica empobrecido, na melancolia é o próprio eu que se empobrece. O sujeito não diz apenas “perdi alguém” ou “perdi algo”. Ele passa a dizer, ainda que de forma inconsciente...

Quando o silêncio dói: escutar a angústia como linguagem do sujeito

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 Em Quando a Angústia fala , o leitor não encontra um manual de respostas nem um catálogo de sintomas. Encontra, antes, um convite ao gesto mais radical da clínica: escutar. A angústia, longe de ser tratada como um ruído a ser silenciado, é apresentada como uma forma de linguagem, talvez a mais honesta e a mais difícil de sustentar. Onde as palavras falham, onde o discurso se rompe, a angústia surge como sinal de que algo do sujeito insiste em dizer-se, ainda que sem forma, ainda que sem nome. Ao longo do livro, a angústia deixa de ser compreendida como simples excesso emocional ou desajuste químico. Ela aparece como efeito de um encontro, encontro com o desejo, com a falta, com aquilo que não se deixa simbolizar facilmente. Há uma recusa clara em reduzi-la a um inimigo a ser combatido. Em vez disso, o texto sustenta uma posição clínica clássica e, ao mesmo tempo, profundamente atual: a angústia não engana. Ela aponta, revela, denuncia. Ela surge justamente quando os arranjos habi...

O pensamento que circula: como as representações sociais moldam o mundo antes que percebamos

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 Há livros que não apenas explicam um conceito, mas deslocam o modo como olhamos para a realidade. Representações sociais: investigações em psicologia social , de Serge Moscovici, é um desses marcos silenciosos e profundos. Ao longo da obra, Moscovici nos conduz a uma constatação inquietante e ao mesmo tempo libertadora: não pensamos sozinhos. Aquilo que acreditamos ser opinião pessoal, julgamento individual ou percepção íntima já nasce atravessado por discursos, imagens, valores e narrativas que circulam no espaço social muito antes de chegarem à nossa consciência. Pensar, aqui, deixa de ser um ato isolado do indivíduo e passa a ser um fenômeno essencialmente coletivo. Moscovici recoloca o senso comum no centro da psicologia social, retirando-o do lugar de erro, ignorância ou conhecimento menor. Ele mostra que o senso comum é um sistema ativo de interpretação do mundo, produzido e compartilhado nos grupos, que permite às pessoas se orientarem na vida cotidiana. As representações s...

6 Verdades Surpreendentes Sobre a Hipnose Que Desafiam Tudo o Que Você Pensava Saber

A Batalha Silenciosa Pela Mente na Hora de Dormir O dia chega ao fim, mas a sua mente se recusa a desligar. As preocupações com o estresse no trabalho, as dificuldades financeiras e os problemas familiares continuam a ecoar, transformando o travesseiro em um campo de batalha. Se essa cena lhe parece familiar, você não está sozinho. Estudos estimam que a insônia atinge mais de 40% das pessoas no Brasil, um número que reflete uma epidemia silenciosa de mentes que não conseguem encontrar o botão de "desligar". Mas e se existisse uma ferramenta, muitas vezes mal compreendida, capaz de lhe devolver o controle? Uma técnica que não depende de pílulas ou rituais complexos, mas sim de uma capacidade que já existe dentro de você? Prepare-se para conhecer a auto-hipnose, não como um truque de palco, mas como um recurso surpreendente e poderoso para encontrar o relaxamento e a paz mental. As 6 Verdades Surpreendentes Sobre a Hipnose É hora de abandonar os clichês de pêndulos balançando e...

Moscovici

 Imagine Paris nos anos 1950 e 1960. A psicanálise começava a sair dos consultórios, atravessava as paredes dos hospitais, invadia cafés, jornais, revistas, mesas de jantar. Todo mundo falava de complexo, recalque, trauma, subconsciente. Mas que psicanálise era essa que circulava nas conversas e nas manchetes. Era a mesma teoria rigorosa de Freud e seus herdeiros, ou algo novo estava nascendo ali, no terreno do senso comum. É exatamente essa pergunta que Serge Moscovici decide enfrentar em A representação social da psicanálise . Em vez de discutir a psicanálise em termos estritamente teóricos, ele se pergunta como uma sociedade inteira passa a imaginar, narrar e usar essa teoria quando ela deixa de ser privilégio de especialistas e se torna palavra da rua. O gesto de Moscovici é simples e radical ao mesmo tempo. Ele escolhe um objeto que já é, em si, polêmico e carregado de afetos – a psicanálise – e o toma não como doutrina, mas como fenômeno social. Em vez de perguntar se Freud ...

Quando o senso comum pensa alto: Serge Moscovici e o poder das representações sociais

 Antes de Moscovici, era como se a psicologia social olhasse para o indivíduo com uma lupa e para a sociedade com um binóculo separado. De um lado, teorias cognitivistas descrevendo esquemas, atitudes, julgamentos. De outro, as ciências sociais analisando classes, instituições, ideologias. Faltava uma ponte viva entre esses dois mundos, algo que mostrasse como o que pensamos “por dentro” é tecido com as palavras, imagens e narrativas que circulam “por fora”. É exatamente aí que Serge Moscovici entra em cena com sua Teoria das Representações Sociais, recolocando o senso comum no centro do palco e mostrando que ele está longe de ser um simples amontoado de opiniões desinformadas. No material que você está estudando, essa teoria aparece justamente como uma tentativa de integrar os aspectos cognitivos com uma leitura crítica das influências sociais, ajudando a compreender como as pessoas interpretam coletivamente os fenômenos sociais, e não apenas como indivíduos isolados que “processa...

Quando descobrimos que o “eu” é plural: a virada sociológica da Psicologia Social

 A história da Psicologia Social costuma ser contada como se começasse em laboratórios, com experimentos sobre influência, conformidade e atitudes. Mas há uma outra narrativa, menos domesticada, que nasce não no laboratório isolado, e sim na rua, na fábrica, no sindicato, na escola, no bairro. É a história da Psicologia Social de matriz sociológica, aquela que se pergunta o tempo todo não “o que se passa dentro da cabeça do indivíduo”, mas “como esse indivíduo se torna o que é, ao participar de grupos, classes, instituições, movimentos e culturas específicas”. Nessa vertente, o sujeito não é ponto de partida pronto, é o ponto de chegada de múltiplos pertencimentos. O “eu” é pensado a partir dos “nós” que o atravessam. Logo no fim do século XIX e início do XX, enquanto a psicologia nascente buscava se afirmar como ciência experimental, sociólogos e pensadores do social já estavam fascinados pelo comportamento das multidões, das massas, dos grupos. Durkheim, por exemplo, insistia qu...