Como defino a Angústia?
A angústia aparece como linguagem antes de ser conceito. Ela fala quando o sujeito não consegue falar, manifesta-se no corpo, no silêncio, no aperto, na suspensão do tempo. Não anuncia um perigo externo claramente identificável, mas um encontro interno com a falta, com o desejo e com o limite das identificações que até então garantiam certa estabilidade. Por isso, ela não engana: aponta exatamente para o ponto em que o sujeito já não pode se apoiar nas mesmas respostas, nas mesmas narrativas, nas mesmas defesas.
No livro, a angústia é compreendida como efeito de um desajuste entre o que se espera de si e aquilo que, de fato, se sustenta no desejo. Ela emerge quando o sujeito vive demais para o Outro, quando se adapta em excesso, quando tenta corresponder a ideais que silenciam sua singularidade. Nesse sentido, a angústia não é o problema, mas a consequência de uma vida vivida fora de si. Ela denuncia o esgotamento das soluções imaginárias e convoca uma reorganização subjetiva.
Quando a Angústia fala sustenta que a angústia não pede supressão imediata, mas escuta. Escutá-la é permitir que aquilo que ainda não encontrou palavras possa, pouco a pouco, ganhar forma simbólica. A angústia marca o ponto exato em que algo do sujeito insiste em existir apesar das tentativas de silenciamento. Ela não é sinal de desintegração, mas de passagem. Quando acolhida, pode tornar-se um operador de transformação, abrindo espaço para novas significações, novos arranjos e uma relação mais ética com o próprio desejo.
Gasparini, A. Quando a Angústia fala.
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